| Pezinho de Milena quando nasceu. Obs.: A foto não ficou bacana, está um pouco manchada. |
Intubação. Incubadora. Oxigênio.
Saturação. Intercorrências. Transfusão de Sangue. Mãe-Canguru. Visitas.
Indefinição. Tempo. CPAP. Ordenha. Cantinho do Leite. Alegria. Choro. Tristeza.
Sorrisos. Quadro Estável. 1ml, 2ml, 3ml..Ganho de Peso. Alta!
Estas palavras são apenas um
resuminho das que mais escutamos durante o período de UTI Neonatal. No entanto,
a mais esperada é última citada, a Alta!
Inesperadamente, o bebê nasce e,
de repente, mudam os planos para a sua chegada. O bebê não vai logo para o colo
de mamãe, vai direto para incubadoura porque precisa de cuidados especiais para
se desenvolver como se ainda estivesse na vida intra-uterina. Consequentemente,
também não vai logo para sua casa (dependendo de sua prematuridade). No nosso
caso, foram 96 dias, equivalente aos mais duradouros 03 meses e 01 semana de
UTI até o esperadíssimo dia da alta. Tem mais um pouquinho de nossa história
neste post.
Visto que minha
licença-maternidade foi desta forma, decidimos que retomaria a carreira em
outro momento. Sou super a favor que em casos de, principalmente, prematuros
extremos, a licença contasse a partir do dia da alta (mas estes assuntos serão
cenas de um próximo capítulo).
Com a prematuridade inesperada,
muitas mamães (como no meu caso) acabam não tendo a sensação de experimentar a
barriga de uma gestação que chega a 40 semanas ou pelo menos próximo, mas o que
mais me conforta e me deixa feliz é que, ainda assim, tive uma gravidez
saudável e curti cada momento. Sendo assim, algumas coisas que planejamos, como
um book fotográfico, também não foi possível fazer, visto que o mesmo foi
programado para um momento, mas não conseguimos chegar até lá.
Ser mãe de prematuro nos faz ver
um outro lado da maternidade, nos permite ver o filho lutando pela
sobrevivência, um pequeno, desde cedo, vitorioso. É preciso ter força e muita fé, o que não é
fácil quando estamos ansiosos pelo o que mais queremos: levá-lo bem para casa. Até hoje, quando assisto
alguma reportagem sobre bebês prematuros, me emociono bastante, pois me coloco
no lugar destes pais, imaginando o que eles estão passando: um momento de
emoção, expectativas, dúvidas e que, na maioria dos casos, permite um caso de
sucesso, a felicidade de ver seu filho evoluindo e “renascendo” e chegando ao
seu lar com toda a família em festa.
Por outro lado, ao perder nossa
outra bebê (nossa gravidez era gemelar, o que pode ter favorecido o parto
prematuro), a Mirela (que virou um anjinho), durante o período que estivemos na
UTI Neonatal, presenciamos outros casos como o nosso, pais que perderam seus
bebês, pois não resistiram à prematuridade ou, até mesmo, por alguma outra
situação que os levaram para lá, chorávamos juntos.
Com o filho prematuro, os nossos
pensamentos sobre cuidados com bebê, mudaram um pouco, pois quando Milena foi
pra casa, procurávamos ter cuidados em dobro, zelando para que ela se
desenvolvesse de uma maneira saudável. Às vezes, nos questionamos se ela não
tivesse sido prematura, como será que iríamos agir? Como iríamos cuidar dela? Mas
sei de uma coisa, o amor seria o mesmo!!
Pensamos em engravidar novamente,
acredito que tão logo o momento chegará, mas confesso que dá um receio do parto
prematuro, pois quem já o vivenciou, sabe como é e creio que tem a mesma
sensação. É claro que não será impeditivo, pois o importante é ser almejado.
Desejo força para pais que
estejam vivenciando a experiência da prematuridade com seus bebês.
Abraços,
Larissa Andrade.


